O montelucaste é um medicamento bastante conhecido por quem trata doenças alérgicas. Ele aparece com frequência nas prescrições para crianças e adultos com rinite, especialmente quando existe também asma.
Mas será que ele é um dos principais tratamentos para a rinite alérgica?
A resposta é: não exatamente.
Como o montelucaste funciona?
O montelucaste pertence à classe dos antagonistas dos receptores de leucotrienos.
Os leucotrienos são substâncias produzidas pelo organismo durante processos inflamatórios e participam da resposta alérgica. Na mucosa respiratória, podem contribuir para edema, produção de secreção e obstrução das vias aéreas.
Ao bloquear a ação desses mediadores, o montelucaste pode reduzir alguns dos sintomas relacionados à inflamação alérgica.
É um mecanismo que faz sentido para doenças como a asma e a rinite alérgica, mas isso não significa que seja necessariamente o medicamento mais eficaz para controlar todos os sintomas da rinite.
O montelucaste funciona para rinite?
Sim. O montelucaste pode melhorar sintomas da rinite alérgica, principalmente a obstrução nasal.
Entretanto, quando comparado aos corticoides intranasais, seu efeito sobre os sintomas nasais costuma ser inferior. Por isso, os consensos e diretrizes atuais não colocam o montelucaste como primeira opção para a maioria dos pacientes com rinite alérgica. Os corticoides intranasais continuam sendo uma das principais opções farmacológicas, especialmente quando a obstrução nasal é um sintoma importante.
Então, quando o montelucaste pode ser interessante?
Existe uma situação em que o medicamento ganha maior relevância: o paciente que apresenta rinite alérgica e asma simultaneamente.
Nesses casos, o montelucaste pode atuar sobre as duas doenças, tornando sua utilização uma opção a ser considerada em determinadas situações. Isso não significa que ele substitua necessariamente o tratamento habitual da asma ou da rinite. A escolha depende da gravidade das doenças, dos sintomas predominantes, dos tratamentos já utilizados e da resposta individual.
E por que ele não é usado como primeira escolha?
Porque existem tratamentos mais eficazes para o controle da rinite.
Os corticoides intranasais, por exemplo, apresentam maior eficácia no controle global dos sintomas, especialmente da congestão nasal.
Os anti-histamínicos também possuem importante papel, principalmente quando predominam sintomas como espirros, coceira e coriza.
Assim, utilizar montelucaste isoladamente para tratar uma rinite alérgica não costuma ser a estratégia preferencial.
Um cuidado importante: efeitos neuropsiquiátricos
Existe ainda uma questão que merece atenção.
O montelucaste foi associado a eventos adversos neuropsiquiátricos, incluindo alterações do sono, pesadelos, alterações de humor, ansiedade, depressão e, raramente, pensamentos ou comportamentos suicidas.
Isso não significa que esses efeitos acontecerão na maioria das pessoas que utilizam o medicamento. Entretanto, diante da possibilidade desses eventos, é importante que médico e paciente discutam os riscos e benefícios antes de iniciar o tratamento.
A recomendação é particularmente relevante quando o medicamento está sendo utilizado apenas para rinite alérgica, uma vez que existem outras opções terapêuticas eficazes.
Afinal, qual é o lugar do montelucaste?
O montelucaste não é um medicamento inútil para a rinite, mas também não deve ser encarado como um tratamento de primeira linha para todos os pacientes.
Seu papel é mais específico: pode ser uma alternativa em determinadas situações, especialmente quando existe asma associada, ou quando outras estratégias não são adequadas ou não foram bem toleradas.
Como acontece com qualquer tratamento para rinite, a escolha do medicamento deve levar em consideração os sintomas predominantes, sua intensidade, as doenças associadas, os tratamentos anteriores e as preferências do paciente.
No tratamento da rinite alérgica, portanto, mais medicamentos não significam necessariamente melhor tratamento.
O melhor tratamento é aquele escolhido de acordo com o perfil de cada paciente.
