Imunoterapia sublingual: quais são os efeitos colaterais?

A imunoterapia alérgeno-específica é uma das opções de tratamento da rinite alérgica que atua diretamente na resposta imunológica aos alérgenos envolvidos na doença. Diferentemente dos medicamentos que controlam os sintomas, seu objetivo é modificar a resposta do organismo à exposição ao alérgeno.

Uma das formas de realizar esse tratamento é a imunoterapia sublingual (ITSL), na qual o alérgeno é administrado sob a língua, geralmente na forma de gotas. Mas, apesar de apresentar um bom perfil de segurança, esse tratamento pode provocar efeitos adversos. Conhecê-los ajuda o paciente a utilizar a imunoterapia com mais segurança e tranquilidade.

Quais são os efeitos colaterais mais comuns?

Segundo o V Consenso Brasileiro sobre Rinites, de 2024, os efeitos adversos mais frequentes da imunoterapia sublingual são reações locais na boca e na garganta, geralmente leves ou moderadas.

Entre as manifestações mais relatadas estão:

  • Coceira na boca: sensação de prurido na mucosa oral, especialmente após a administração.
  • Irritação na boca ou na garganta: desconforto local que pode surgir nos primeiros dias de tratamento.
  • Formigamento na boca: sensação conhecida como parestesia oral.
  • Inchaço dos lábios ou da língua: pode ocorrer como reação local e precisa ser avaliado conforme sua intensidade.
  • Dor ou ardência na língua: manifestação que pode ser descrita como glossodinia.
  • Alteração do paladar: percepção diferente dos sabores após a administração.

Essas reações são mais frequentes no início do tratamento, durante a fase de introdução e adaptação às doses e tendem a diminuir com a continuidade da terapia.

A imunoterapia sublingual pode causar outros sintomas?

Sim. Embora as reações locais na boca sejam predominantes, também podem ocorrer efeitos adversos fora da cavidade oral. Entre os sintomas descritos estão dor abdominal, náuseas, diarreia e dor de cabeça. Algumas pessoas podem apresentar coriza, espirros ou outras manifestações alérgicas.

Em pacientes com asma associada à rinite, também é importante prestar atenção ao aparecimento de tosse, chiado ou falta de ar.

A presença desses sintomas não significa necessariamente que o tratamento precise ser interrompido definitivamente. Entretanto, sua intensidade, duração e relação temporal com a administração devem ser avaliadas pelo médico para determinar a conduta adequada.

Existe risco de reação alérgica grave?

Sim, mas as reações sistêmicas graves são muito raras na imunoterapia sublingual.

Embora o tratamento apresente um perfil de segurança favorável, a administração de um alérgeno pode, excepcionalmente, desencadear uma reação alérgica generalizada. Sinais de alerta incluem dificuldade para respirar, inchaço importante da língua ou da garganta, sensação de desmaio e sintomas que progridem rapidamente ou acometem diferentes partes do corpo.

Diante dessas manifestações, é necessário procurar atendimento de emergência imediatamente. Não se deve aguardar para verificar se os sintomas desaparecerão espontaneamente.

É importante diferenciar essas situações de uma coceira leve e passageira na boca, que é muito mais comum. O reconhecimento dos sinais de gravidade permite agir rapidamente sem gerar preocupação desnecessária diante das reações locais habituais.

É necessário interromper o tratamento diante de qualquer efeito colateral?

Não necessariamente.

Reações leves e transitórias na boca são relativamente comuns e, isoladamente, nem sempre exigem a suspensão definitiva da imunoterapia. A conduta depende do tipo de reação, de sua intensidade, de sua duração e da formulação utilizada.

Quando os sintomas são persistentes, intensos ou progressivos, o paciente deve procurar orientação antes de continuar a administração. Dificuldade respiratória, inchaço importante da língua ou da garganta e outros sinais de reação sistêmica grave exigem atendimento de emergência.

O mais importante é não modificar a dose nem insistir no tratamento diante de uma reação preocupante sem avaliação adequada.

Afinal, a imunoterapia sublingual é segura?

Sim. As evidências reunidas no V Consenso Brasileiro sobre Rinites indicam que a imunoterapia sublingual apresenta bom perfil de segurança em crianças e adultos, incluindo os tratamentos estudados para ácaros e pólens.

A maioria dos efeitos adversos é leve, localizada na boca e na garganta e mais frequente no início do tratamento. Reações sistêmicas graves são excepcionais, mas não devem ser ignoradas.

A imunoterapia não é indicada para todos os pacientes com rinite alérgica. Sua utilização depende da identificação de um alérgeno clinicamente relevante, da avaliação das características da doença e da decisão compartilhada entre médico e paciente.

O objetivo não é apenas controlar os sintomas da rinite, mas modificar a resposta alérgica com um tratamento individualizado, eficaz e seguro.

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